terça-feira, 22 de setembro de 2009

FLOR DO CAMPO


“O Anjo e a Flor do Campo
- Sempre que sucede morrer uma criança boa, desce um anjo do céu a buscá-la, e, depois de a recolher em seu regaço, desdobra as asas brancas, dadas pelo Criador, afim de ir percorrendo em seguida todos os sítios com que na terra a criança mais simpatizou. As flores que nesta digressão apanham, levam-nas ambas ao Pai Celeste, para ele as fazer lá reflorir nos céus mais altos, formosos e odoríferos, imarcescíveis mesmo. Deus então aconchega ao peito essas flores, – e na que mais lhe apraz deposita um beijo. Esse beijo tem o condão miraculoso de inocular na flor animação e voz.

casinha do caminho


Uma casa constrói-se ao lado dum caminhoUma casa constrói-se ao lado dum caminho,a respiração contida, a luz adequada à festaduma porta entreaberta, grave, mas vigilante,na virginal sedução por aromas encobertos.Para sustentá-la em seus símbolos de fogoe seus muros de imponderável leveza,iludem-se os barros no plasma dos sonhos,o tecto lavra-se para as duradoiras chuvasem cerimónia primitiva ritual de origens.Servem-se as ervas em remotas narrativasde saberes esquecidos, vividos nas cinzasdo tempo breve que preencheu a claridade.E para a necessária tolerância das ruínasa incansável circulação dos magmas, o frio,ignoram-se os desvios dum coração audazporque a casa é o lugar exacto dos ruídosa respiração das águas que caiem devagardesconhecendo o pó, os átomos do delírio

AMOR ANTE OS OLHOS


Ouvi essa frase num último capítulo de novela, e tenho que concordar com a autora: sim, é possível construir um amor. Nem sempre o amor deriva de uma grande paixão, um encontro inesperado, um amor à primeira vista.
Por vezes, ele vem de uma amizade, da convivência do que se constrói a dois no dia a dia. E, ainda que para muitos isso possa parecer estranho, sim, acontece! Então, todos aqueles que estão aí sentados, à espera de príncipes e princesas, talvez já tenham o amor da sua vida ao seu lado. E para reconhecê-lo basta abrir-se e abrir os olhos...

CANÇÃO DE CRIANÇA


Nas cores do arco-íris
Eu quero escorregar
Cair no centro da Terra
Sobre o magma surfar
Sem o perigo de me queimar
Colher estrelas - do- mar
Em cavalos marinhos cavalgar
Voar na companhia de mil passarinhos
Escalar montanhas e cruzar oceanos
Construir em árvores muitos ninhos
Brincar de bambolé
Com os anéis de Saturno
Pelo universo dar um rolé
Vagando sem rumo
Quero saltar sobre águas vivas gigantes
Brincar de pique-esconde
Atrás dos elefantes
Atravessar nebulosas
Colher nos jardins do céu
Lindas rosas
Rosas que exalam
O perfume da esperança
Rosas de cor branca
Como a pureza da criança